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  • Christina Brazil

5 anos do “Inclusão: casos & causos”.

Atualizado: Abr 13


Gosto de comemorar os aniversários do Inclusão: Casos & “Causos”, mesmo tendo mudado de plataforma, a ideia continua vívida e, a cada ano, quando olho para trás, tomo consciência do caminho que percorri, das aventuras que vivi:

Fechei meus olhos...

Naveguei na escuridão do meu ser.

Senti a mais profunda dor d’alma.

Morri.

Abri meus olhos.

Viajei pela imensidão da consciência.

Resgatei minha essência.

Transmutei.

Mundo Concreto – vida social...

Mundo Abstrato – vida consciente...

Sejamos felizes em nossos mundos...

O “Eu” é o Elo que os une através do “agir certo” com a bondade de uma criança no coração.

Simples assim...

E se tiver doces, fica melhor ainda.*

Hoje o blog completa cinco anos repletos de inquietações, angústias, dúvidas, felicidades e muitos casos e causos, que têm por essência a busca por um mundo melhor e justo.

Viver é uma arte indescritível em sua totalidade, estar no mundo, de forma consciente e ativa, requer força e astúcia. Desde que me dispus a compartilhar meus casos e “causos”, minha vida, minha consciência, meu compromisso de ser/estar no mundo de modo ativo tomaram novos rumos. A jornada de quem é, ou se dispõe a ser, diferente, fazer a diferença, normalmente vem carreada por inquietações e anseios.

Penso que viver em uma zona de conforto não nos move e que são os nossos anseios e inquietações que nos convidam a reexaminar nossas vidas e a fazer perguntas que são, ao mesmo tempo, assustadoras e libertadoras como: Quem sou eu além dos papéis que sociais que “interpreto”?

Em um mundo em que todos lutam ferozmente por sua sobrevivência física, emocional e social, quem tem algum estigma normalmente vive à margem. Hoje sinto que vivemos em um eterno embate, muitas vezes por coisas triviais, por atenção, status, ou até mesmo por banalidades, como em tempos de guerra, no qual agarramos tudo o que podemos, e o outro, no íntimo, é um inimigo/adversário em potencial.

Em meio a esse caos existem iniciativas, como este blog, que buscam desvelar a vida; torná-la digna e verdadeiramente humana; transcender o que é trivial e pseudofeliz, mesmo que seja de modo imperceptível aos olhos da multidão.

Participei de uma destas iniciativas em 2014, um curso de extensão universitária de Empreendedorismo Social, que dentre seus objetivos, buscou mostrar aos participantes, empreendedores da baixada fluminense, no estado do Rio de Janeiro, que ações sociais podem ser eficazes na transformação da realidade de grupos socialmente excluídos.

Em uma das atividades propostas no curso, escrevemos um projeto individual e depois outro em grupo. Quando abrimos para discussão muitas ideias bacanas surgiram, mas observei que a pessoa com deficiência era invisível.

Nossa!!! Eu era invisível ali!!!

No meio de tantas pessoas excluídas ninguém citou a pessoa com deficiência. Diante do que percebi, falei do meu projeto individual e comentei a repeito dessa impressão. O bacana, e triste ao mesmo tempo, é que algumas pessoas fizeram uma excelente reflexão e admitiram essa invisibilidade (ou esquecimento), algumas comentaram que tinham parentes com deficiência.

Depois desse curso fiquei atenta e comecei a observar que quando se fala em “social”, no senso comum, estão implícitas as questões das desigualdades econômicas, de gênero; problemas com drogas; racismo dentre outras, mas a pessoa com deficiência se torna invisível.

Estou sempre analisando as iniciativas voltadas à inclusão da pessoa com deficiência e observei que, na maioria dos casos, são isoladas, “especiais”, e eu sempre me questiono se isso é uma forma de exclusão e discriminação.

Mesmo sem esta resposta sigo meu caminho...

...Um passo...

...Um passo de cada vez...

Encerro este texto com a metáfora das Estrelas-do-Mar.

Metáfora: estrelas-do-mar***


Era uma vez um escritor que morava em uma praia tranquila, próxima a uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele caminhava à beira-mar para se inspirar e, à tarde, ficava em casa escrevendo.

Certo dia, ao caminhar pela praia, viu ao longe um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto, reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia para, uma a uma, jogá-las de volta ao oceano, além das ondas.

– Por qual motivo você está fazendo isso? – perguntou o escritor.

– Você não vê? – respondeu o jovem, ao apanhar alegremente e jogar as estrelas ao mar – A maré está vazando e o sol brilha forte. Elas vão ressecar e morrer se ficarem aqui na areia.

O escritor espantou-se com a resposta e disse com paciência:

– Meu jovem, existem milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Você joga algumas poucas de volta ao oceano, mas a maioria vai perecer de qualquer jeito. De que adianta tanto esforço? Não vai fazer diferença!

O jovem abaixou-se e apanhou mais uma estrela na praia, sorriu para o escritor e disse:

– Para esta aqui, eu fiz a diferença. – e jogou a estrela de volta ao mar.

Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, nem sequer dormir. Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem, uniu-se a ele e, juntos, começaram a jogar estrelas de volta ao mar.

Caro leitor,

Agradeço por estes cinco anos em que estivemos juntos em ideias e pensamentos.

Boa semana.

Notas:

* Poesia publicada em 25/07/2014 no Tumblr (http://inclusaocec.tumblr.com/), no texto comemorativo de um ano do blog.

** O texto original foi revisado, atualizado e adaptado: “3 anos de Tumblr!!! Parabéns Inclusão: Casos e “Causos”!!!” foi publicado em 25/07/2014 no Tumblr (http://inclusaocec.tumblr.com/ ).

*** Disponível em: http://www.1234voce.com.br/public/metafora-estrelas-do-mar/


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