Buscar
  • Christina Brazil

Felicidade: podemos ser felizes mesmo sendo “deficientes”?*


Fotografia na qual se vê, ao fundo e sobre uma mesa, um globo de cristal transparente. No primeiro plano há um caderno de desenho aberto que, sobre o qual, há um lápis e uma lupa redonda de aro dourado.

Às vezes gosto de revisitar escritos antigos e trazê-los à tona. Este texto foi publicado na primavera de 2013, um período particularmente complexo e de ebulição textual.


Hoje, após iniciar minha jornada pelos caminhos da arte, olho para os textos antigos e vejo detalhes interessantes, um deles é que a minha perspectiva sobre "ser deficiente" mudou e outro, é como percebo a experiência vida, que amadureceu, aqui me refiro à vida englobando diferentes camadas de sentido, desde as mais concretas e cotidianas, até as relacionadas à alma e seus símbolos.


A busca pela Felicidade é um tema inesgotável e o texto de hoje traz reflexões que surgiram em um momento de angústia e inquietação, em que a Felicidade parecia ser algo distante, um conceito utópico e inalcançável.


No ano de 2013, pesquisando sobre a Felicidade e buscando respostas às minhas inquietações, li um livro sensacional sobre o assunto, A Arte da Felicidade: um manual para a vida de sua Santidade, O Dalai Lama e Howard C. Cutler. Trago aqui alguns trechos que chamaram minha atenção na época, visto que eu buscava algo que pudesse perpassar minha vida e me dar força para administrar minha "deficiência imposta socialmente”.


Ao saborear a leitura encontrei um sentimento simples, suave, que nos move: a Esperança.

Aos poucos, porém, comecei a ouvir a nota única que ele constantemente fazia soar. É uma nota de esperança. Sua esperança tem como base a crença de que, embora não seja fácil alcançar a felicidade genuína e duradoura, mesmo assim, ela é algo que se pode realizar. Subjacente a todos os métodos do Dalai-Lama há um sistema básico de crenças que funciona como um substrato para todos os seus atos [...] (DALAI LAMA & CUTLER, 2000, p. 13).

Com isso, entendi que a esperança nos move a perseguir nosso objetivo de vida: a Felicidade.

No Ocidente, o conceito de alcançar a verdadeira felicidade sempre pareceu mal definido, impalpável, esquivo. Até mesmo a palavra happy é derivada do termo happ em islandês, que significa sorte ou oportunidade. Parece que a maioria de nós encara da mesma forma a misteriosa natureza da felicidade. Naqueles momentos de alegria que a vida proporciona, a felicidade dá a impressão de ser algo que caiu do céu (idem, p.15).

Continuei a meditar, com a mente de uma ocidental que estuda e busca o conhecimento oriental:

Quando falamos dessa disciplina interior, é claro que ela pode envolver muitos aspectos, muitos métodos. Mas em geral começa-se identificando aqueles fatores que levam à felicidade e aqueles que levam ao sofrimento. Depois desse estágio, passa-se gradativamente a eliminar os que levam ao sofrimento e a cultivar os que conduzem à felicidade. É esse o caminho (idem, p.15).

Se esse é o caminho, onde exatamente queremos chegar? Eu acreditava que a necessidade de administrar a "deficiência social imposta", quer seja a dificuldade de enxergar, ou qualquer outra, não poderia nos impedir de alcançar nossos objetivos. A diferença, talvez, estivesse em como tratamos nossas dificuldades: se de forma complexa ou simples.


É fato que a sociedade e a humanidade, que está infeliz, torna tudo muito complexo, difícil, inalcançável, pesado. Acredito que é nesse ponto que a Esperança entra em ação e dá subsídios para prosseguirmos em nossa empreitada, nos renovando a cada dia.


Quem tem alguma dificuldade, que socialmente é considerada deficiência, tem a superação como uma de suas ferramentas para atingir seus objetivos. Dessa maneira a superação será uma das formas de alcançar a felicidade:

- Examinamos a possibilidade de alcançar a felicidade por meio do esforço para eliminar nossos comportamentos e estados mentais negativos. Em geral, qual seria sua abordagem para de fato realizar isso, superar os comportamentos negativos e fazer mudanças positivas na nossa vida? - perguntei.
- O primeiro passo envolve o aprendizado - respondeu o Dalai-Lama -, a educação. Creio ter mencionado anteriormente a importância do aprendizado...
- O senhor está se referindo a quando conversamos a respeito da importância de aprender sobre como as emoções e comportamentos negativos são prejudiciais à nossa busca da felicidade, e como as emoções positivas são benéficas?
- Isso mesmo. Mas ao examinar uma abordagem para realizar mudanças positivas dentro de nós mesmos, o aprendizado é apenas o primeiro passo. Há outros fatores também: a convicção, a determinação, a ação e o esforço. Logo, o passo seguinte é desenvolver a convicção. O aprendizado e a educação são importantes porque ajudam a pessoa a desenvolver a convicção da necessidade de mudar e ajudam a aumentar sua noção de compromisso. Essa convicção da necessidade de mudar por sua vez desenvolve a determinação. Em seguida, a pessoa transforma a determinação em ação: a forte determinação de mudar possibilita que a pessoa faça um esforço sistemático para implementar as mudanças efetivas. Esse fator final de esforço é de importância crítica (idem, p. 248).

Após a leitura dos excertos anteriores, que tal experimentar:

Deixemos de lado por um momento as aspirações máximas espirituais ou religiosas, como a perfeição e a iluminação, e lidemos com a alegria e a felicidade como as entendemos num sentido rotineiro ou material (idem, p. 27).

Desejo a você, amigo leitor e amiga leitora, Paz e Sabedoria em sua Jornada, que seus passos sejam guiados pelo o que há de bom, bem e belo no Universo.


Até o próximo texto!


 

Nota:

*Este texto foi revisado e atualizado, originalmente publicado no blog Inclusão: casos e causos, no Tumblr.


 

Referência e dica de Leitura:


Sua Santidade O Dalai Lama e Howard C. Cutler. A arte da felicidade: um manual para a vida. Tradução de Waldéa Barrellos. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

108 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo