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  • Christina Brazil

Inspiração Feminina...

Atualizado: Abr 13


Em 2015, fui convidada a participar de um projeto chamado “Palestrante PCD”[i]. Este projeto tinha por objetivo “sensibilizar e provocar transformações na sociedade, com reflexo em seus aspectos social, econômico e cultural”[ii].

O evento aconteceu no auditório da OAB-RJ e acredito que foram os três minutos mais longos da minha vida. Neste dia falei sobre inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, sobre como é estar em um lugar em que você não é bem-vindo e como podemos superar o estigma, a exclusão, a inclusão perversa e fazer deste mundo um lugar melhor.

Neste dia estavam presentes representantes de entidades de apoio às pessoas com deficiências de empresas, dentre outros. No fim do evento, uma moça da TV Brasil conversou comigo. Pouco tempo depois, a produção do Programa Especial da TV Brasil me procurou para gravar uma entrevista...

– Eu!? Euzinha?!

... e o “convite-desafio” foi prontamente aceito.

Fiz a entrevista pouco tempo depois e confesso que já tinha desistido e achado que a mesma não iria ao ar. Mas, para minha surpresa, em novembro de 2017, a entrevista foi exibida com a seguinte chamada: Mulheres: conheça a história e a luta de mulheres inspiradoras[iii]. Quando li, me dei conta de como nossas ações reverberam e como as outras pessoas nos veem...

– Eu, uma Mulher Inspiradora!?

Mas, amigo leitor, hoje não irei me alongar, apenas trago a entrevista:

Ao escrever este texto, tive vontade de relembrar o que falei em 2015 e me perguntei o que, em minha fala, motivou a produção do programa a me entrevistar? Subscrevo, abaixo, um trecho do que rascunhei para falar na ocasião[iv]:

Bom dia a todos.

Antes de qualquer coisa, agradeço por estarem aqui.

Gostaria de sair do lugar comum e iniciar com uma questão:


Algum dia os senhores(as) estiveram em uma casa onde não eram desejados ou bem-vindos?

Pois é... eu já estive.


Estar em um lugar sem ser desejado ou esperado, hoje, é a realidade de muitas pessoas com deficiência. Isso acontece porque a Lei de Cotas “obriga” a inclusão. O que é um contrassenso... Mas não vamos nos ater a questões conceituais hoje.


(Pausa para um sorriso e uma olhadela na plateia. – Ops! – Para sentir a plateia, melhor dizendo.)


Estive em uma casa em que não era bem-vinda. Essa estada representou uma das experiências mais importantes e ricas da minha vida. Nessa casa vi todos os fantasmas que uma Pessoa com Deficiência pode ter... o estigma, o preconceito, a exclusão, a inclusão perversa e tantos outros...


No último dia de minha estada nessa casa, uma pessoa, com certo tom de indignação, me disse:

– Eu não entendo. Quando as pessoas vão embora elas ganham um tchau e você ganhou duas festas... – Ah! Isso fora as emocionantes mensagens de despedida que essa pessoa não viu.

(Pausa com sorriso, olhando para a plateia.)

Os senhores(as) devem estar curiosos. Estou certa?


As empresas e instituições são formadas por pessoas.


Vou contar meu segredo: costumo brincar que com um sorriso e um bom dia eu posso mudar o mundo... Tocando os corações e principalmente focando nos valores... na cultura.


Nessa casa em que estive, também experimentei uma das minhas melhores experiências: mergulhar no mais fundo abismo e retornar à superfície trazendo comigo esperança e a espalhando para todos que me cercavam. Sim... para todos! Todas as pessoas têm medos, cada qual em sua especificidade. Não importa. Mostrar que é possível superar as adversidades, as barreiras é mudar o mundo, nem que seja uma pequena parcela dele. É dar esperança a quem nos cerca.


Mas isso exige um esforço e luta “48 horas por dia”, para provar para o mundo que se é “normal”, para depois mostrar a diferença entre deficiência e dificuldade:


Pois é... costumo dizer que não sou deficiente, apenas tenho uma dificuldade para enxergar... o que em termos de resolução significaria dizer que o que vocês veem a 50 m eu vejo a 1 m. Mas isso não me desqualifica. Só não é aconselhável pedir para eu tomar conta de uma prova sozinha... Imaginem a felicidade dos alunos!

O meu primeiro “não, ela não pode”, foi por volta dos cinco meses de idade... e depois destes, muitos vieram. (pausa)

Eu nunca repeti de ano na escola, tenho duas faculdades, especialização, mestrado, trabalho em outro município, moro sozinha...

A inclusão é uma ação coletiva e exige uma mudança de valores, de atitudes e de cultura. A Inclusão real é possível.


Refina seu olhar e você verá que a atitude é tudo.


Obrigada por estarem aqui e por apostarem em um mundo melhor.

Boa Semana.

Notas:

[i] http://emprolrh.com.br/nossos-palestrantes/

[ii] Site de divulgação do evento: https://www.beta.benfeitoria.com/palestrantepcd

[iii] Link da página do Programa Especial (TV Brasil) - http://tvbrasil.ebc.com.br/programa-especial/2017/11/mulheres

[iv] Subscrevi trecho do texto intitulado: “Toc toc! – Com licença. Posso entrar?”, publicado no http://inclusaocec.tumblr.com/ em 21/09/2015.

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