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  • Christina Brazil

Não é porque não enxergo que eu não quero ver.

Atualizado: Abr 13


Atualmente muito se fala em acessibilidade, quer seja arquitetônica, linguística ou atitudinal, mas antes de começar este texto é importante pensar que este conceito está diretamente relacionado à


possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida (ABNT, 2015, p. 2).

Mas, no meu entendimento não basta divagar sobre acessibilidade se não compreendermos quais barreiras nos impedem de atingir nossos objetivos. Atualmente o conceito de deficiência está atrelado à relação com uma ou mais barreiras à “participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas” (art. 2º da Lei Brasileira de Inclusão – BRASIL, 2015).

Quando o tema é cultura, a inclusão é um desafio real e possível de ser alcançado. Gosto de dizer que as delicadezas e sutilezas nos levam a qualquer lugar, é imprescindível olhar para o outro, enxergá-lo como ele é e respeitá-lo em suas especificidades. No meu caso a barreira é sensorial, ou seja, meu déficit é na percepção de imagens.

Nesta semana fui à exposição Bel Barcellos Conexões* com uma amiga, fiquei encantada com as obras, peguei minha lupa e comecei a olhar tela por tela...


Minha amiga e eu começamos a interagir com as imagens fazendo inúmeras conjecturas, pois conseguíamos captar as expressões das pessoas nas telas bordadas, olhares apaixonados, leves sorrisos, até que...

- Olha, Chris! Acho que aquele casal está interessado...! (Minha amiga apontava para dois quadros que estavam na fileira de cima.)

– Que casal, Nina?

– Ops, Chris! Desculpe!

Naquele instante fez-se um impasse, por um breve momento a tristeza pairou, pois, não é porque não enxergo que não quero ver. Não desisti... olhei para um lado e para o outro, não ia perder aquela oportunidade única. Enfim, perguntei se tinham um banco.

– Banco não temos, mas temos uma escada, serve?

– Claro!

Fiquei feliz e fiz sucesso!

Sem preconceito, sem constrangimento!

Ah! Que lindeza!

Pude ver as trinta telas com minha amiga. Falamos sobre todas e em iguais condições.

Amigo leitor, você quer saber sobre o casal interessado que minha amiga apontou? Vai lá e depois me escreve contando sua percepção.

Inclusão é isso! Romper barreiras e literalmente subir na vida!

A dialética da vida é feita por conexões de respeito e acolhimento!

Boa semana e boas conexões.

Notas:

* Sobre a exposição: https://gabyindiodacosta.com/portfolio-items/bel-barcellos-conexoes/

Site da artista Bel Barcellos: http://belbarcellos.com.br/

Bibliografia:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2015. Disponível em: http://www.ufpb.br/cia/contents/manuais/abnt-nbr9050-edicao-2015.pdf

BRASIL. Lei n° 13.146, de Julho de 2015, Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm


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